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Guia prático

Espiritualidade durante o câncer: um cuidado que também é seu

Receber um diagnóstico de câncer mexe com o sentido da vida, com a fé e com os planos. Cuidar dessa parte faz bem, tenha você uma religião ou não. Este guia explica como.

O que é espiritualidade

Espiritualidade é a forma como cada pessoa encontra sentido, propósito e força na vida. Para uns, isso vem da religião: a fé, a oração, a igreja, o templo. Para outros, vem da natureza, da arte, da música, da família ou de valores pessoais.

Por isso, espiritualidade não é o mesmo que religião. Quem não tem religião, inclusive ateus e agnósticos, também tem a sua espiritualidade. E ela merece o mesmo cuidado.

Por que isso importa no tratamento

A espiritualidade está ligada a menos ansiedade e depressão, a mais esperança e a uma melhor qualidade de vida durante e depois do câncer. Ela também ajuda a tomar decisões difíceis de acordo com o que é importante para você.

Mesmo assim, o assunto costuma ficar de fora das consultas. Em uma pesquisa feita no Brasil:

Queriam esse cuidado80%Tinham conversado sobre isso16%
Pacientes com câncer que queriam cuidado espiritual e os que já tinham conversado sobre isso com algum profissional de saúde. Gráfico elaborado a partir dos dados citados no consenso da SBOC.

Em outro estudo, uma conversa de apenas cinco minutos com o oncologista sobre o tema ajudou a reduzir a tristeza e melhorou a qualidade de vida. A maioria dos pacientes achou a conversa útil.

Sinais de que essa parte está pedindo atenção

  • Sentir que a doença é um castigo ou culpa sua.
  • Mágoa, raiva ou ressentimento que não passam.
  • Sensação de que a vida perdeu o sentido.
  • Medo intenso do futuro ou da morte.
  • Afastar-se das pessoas e das coisas que antes davam força.
  • Dificuldade de encontrar paz, mesmo quando o corpo está bem.

Tudo isso é humano e comum. E tem cuidado.

Como conversar com a equipe

Você pode trazer o assunto a qualquer momento, e também pode preferir não falar sobre ele. Os dois caminhos são respeitados. Algumas perguntas ajudam a começar:

  • O que me dá força e esperança neste momento?
  • A fé ou as minhas crenças são importantes para mim? Como?
  • Tenho uma comunidade ou pessoas que me apoiam?
  • Quero que a equipe leve isso em conta nas decisões sobre o meu tratamento?

A equipe deve respeitar as suas crenças, sejam elas quais forem, sem julgar e sem tentar impor as dela. Muitos hospitais também têm capelania: profissionais que acolhem pacientes e famílias de qualquer religião, ou de nenhuma.

O que pode ajudar

  • Manter as suas práticas: oração, leitura, a sua comunidade religiosa.
  • Meditação e atenção plena (mindfulness).
  • Yoga leve, que ajudou no sono, no cansaço e no sofrimento emocional em vários estudos.
  • Música, arte e contato com a natureza.
  • Animais de estimação e a presença de amigos e família.
  • Terapia com psicólogo, que ajuda a reencontrar sentido e diminuir a angústia.

Fé e tratamento caminham juntos

A espiritualidade soma forças ao tratamento, mas não o substitui. Desconfie de promessas de cura por terapias "alternativas" caras e sem comprovação. Se alguma crença pesar sobre uma decisão do seu tratamento, converse abertamente com a equipe. O objetivo é encontrar um caminho que respeite quem você é.

Para a família

Quem cuida também precisa de cuidado. Familiares sentem medo, cansaço e, muitas vezes, as mesmas perguntas sobre sentido e esperança. Buscar apoio, inclusive espiritual, é um direito de quem cuida.

Fontes

  1. Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). Espiritualidade em Oncologia: consenso da SBOC. Brazilian Journal of Oncology, 2022.

Conteúdo informativo. Não substitui o acompanhamento da sua equipe de saúde.