Prevenção
Obesidade e câncer: o que o peso tem a ver com a doença
O excesso de peso é uma das causas de câncer que mais podemos mudar. Entenda por que ele aumenta o risco, como afeta quem já está em tratamento e o que realmente ajuda, sem culpa e sem dietas milagrosas.
Uma ligação maior do que parece
Muita gente associa câncer ao cigarro ou à genética. Poucos sabem que o excesso de peso também tem um papel importante:
- Nos países desenvolvidos, cerca de 13% dos novos casos de câncer estão ligados ao excesso de peso.
- Já são mais de 30 tipos de câncer associados à obesidade.
- No Brasil, vários dos cânceres mais comuns têm essa relação, como os de mama, intestino, fígado, ovário e endométrio (o revestimento do útero).
- Quanto mais peso a mais, maior o risco. Em alguns tumores, o risco pode subir até 56% para cada degrau a mais no índice de massa corporal (IMC).
Por que a gordura aumenta o risco
A gordura do corpo não é só um estoque de energia. Ela funciona como uma glândula: produz hormônios e substâncias que mexem com o corpo todo. Quando ela está em excesso:
- O corpo fica inflamado o tempo todo, em um nível baixo, que a gente não sente. Essa inflamação favorece erros no DNA das células.
- A insulina fica alta. A insulina, além de controlar o açúcar, estimula as células a se multiplicarem. Isso vale até para quem ainda não tem diabetes.
- Os hormônios mudam, como o estrogênio, o que pesa principalmente nos cânceres de mama e de útero.
Não é só o número da balança
O IMC, que divide o peso pela altura ao quadrado, é útil, mas não separa músculo de gordura. Por isso, a medida da cintura também importa, porque mostra a gordura da barriga, a mais ligada ao risco. Uma regra simples: a cintura deve ter menos que a metade da sua altura.
Também é possível ter o peso "normal" e pouco músculo. A força dos músculos protege: melhora a ação da insulina e ajuda a tolerar melhor o tratamento.
E para quem já tem câncer?
O excesso de peso também pesa durante o tratamento:
- Alguns exames ficam mais difíceis, mas existem aparelhos e técnicas adaptados. A mamografia, por exemplo, continua sendo o exame mais importante e pode ter ótima qualidade com os ajustes certos.
- Cirurgias têm mais risco de infecção, de demora para cicatrizar e de trombose.
Você merece ser cuidado sem julgamento. O peso não é culpa nem falta de força de vontade: é uma doença com muitas causas. Se você se sentiu desrespeitado em algum atendimento, isso não deveria ter acontecido. Procure uma equipe que acolha você.
O que realmente ajuda
- Pequenas perdas já contam. Perder 5% a 10% do peso já melhora a insulina, a inflamação e a pressão. Não é preciso chegar a um peso "ideal" para ter benefício.
- Mexa-se. Pelo menos 150 minutos por semana de atividade moderada, ou 75 minutos de atividade intensa. Qualquer movimento a mais já ajuda, e os benefícios aparecem mesmo antes de o peso baixar.
- Coma melhor, não menos de qualquer jeito. Pelo menos 5 porções de frutas e verduras por dia, menos gordura e menos ultraprocessados. O ideal é um plano feito sob medida com um nutricionista.
- Remédios para obesidade, como os da família da semaglutida e da tirzepatida, trouxeram resultados promissores. São caros, podem causar enjoo e outros efeitos no intestino e precisam de uso contínuo, porque o peso tende a voltar quando se para.
- Cirurgia bariátrica é uma opção muito eficaz para quem tem obesidade grave, com perda de peso grande e duradoura.
- Cuide da cabeça também. Ansiedade e tristeza são comuns e atrapalham o cuidado com o corpo. Apoio psicológico faz diferença.
Se você está em tratamento, não comece uma dieta por conta própria. Durante a quimioterapia, perder músculo pode atrapalhar. Converse com a sua equipe para encontrar o momento e o jeito certos.
Fontes
- Instituto Oncoguia, ONG Obesidade Brasil e sociedades médicas (CBR, FEBRASGO, SBOC, SBCP, SBM, SBNO, SBPO, SBU, SBAFS e outras). Diretriz de Câncer e Obesidade.
Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação médica individual.