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Da minha pesquisa · Estômago

Imunoterapia em torno da cirurgia do estômago: o que os estudos já mostraram e o que está em aberto

A quimioterapia antes e depois da cirurgia mudou o tratamento do câncer de estômago, mas raramente elimina todo o tumor. Revisamos os estudos que testaram somar imunoterapia a esse esquema.

O ponto de partida

Para o câncer de estômago, ou da transição entre esôfago e estômago, que pode ser operado, o padrão é a quimioterapia FLOT antes e depois da cirurgia. No estudo que a consagrou, o tempo de vida típico passou de cerca de 35 para 50 meses em comparação com o esquema anterior. Ainda assim, só uma minoria dos pacientes chega à cirurgia sem nenhum sinal do tumor na peça operada, o que mostra que há espaço para melhorar.

O que os estudos com imunoterapia mostraram

Dois grandes estudos testaram somar imunoterapia ao tratamento em torno da cirurgia: o KEYNOTE-585, com pembrolizumabe, e o MATTERHORN, com durvalumabe.

  • Nos dois, mais pacientes chegaram à cirurgia sem tumor detectável na peça operada.
  • No KEYNOTE-585, essa proporção subiu de 2% para cerca de 13%, mas a diferença no tempo sem a doença voltar não foi suficiente para ser considerada definitiva.
  • O MATTERHORN mostrou redução do risco de o câncer voltar e foi a base para a aprovação do durvalumabe com FLOT nos Estados Unidos, em novembro de 2025.
  • O benefício parece maior em tumores com características específicas, como instabilidade de microssatélites (MSI) ou expressão da proteína PD-L1.
Quimioterapia2%Quimio + pembrolizumabe12,9%
KEYNOTE-585: pacientes que chegaram à cirurgia sem tumor detectável na peça operada. Gráfico elaborado a partir dos dados do artigo.

O que isso significa para você

A imunoterapia em torno da cirurgia é uma opção nova, mas não serve igualmente para todos. Antes de decidir, vale saber o perfil do tumor, como MSI e PD-L1, e discutir em conjunto com o cirurgião o que cada caminho oferece no seu caso. No MATTERHORN, 68,6% dos pacientes estavam vivos em três anos com imunoterapia e quimioterapia, contra 61,9% só com quimioterapia.

O que está em aberto

Ainda não se sabe bem quais pacientes ganham mais, nem se o benefício no tempo sem a doença se traduz em mais anos de vida para todos os grupos. Os próximos estudos precisam responder a essas perguntas.

Referência

  1. Pernomian LS, Teixeira MF, Araujo RLC, Uson Junior PLS. Perioperative immunotherapy in gastric cancer in the spotlight. World Journal of Clinical Oncology, 2025. doi.org/10.5306/wjco.v16.i12.110988

Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação médica individual.